Em busca de novas narrativas

De olho no futuro, laboratório criado pela bigBonsai
testa formatos para o audiovisual em parceria com a Nike

TEXTO: Leonardo de Escudeiro     PRODUÇÃO: F451 Mídia

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Liberdade de criação, empoderamento, formação de time multidisciplinar e um olhar fresco. Essas são as apostas do greenHouse, um laboratório de experimentação idealizado pela produtora bigBonsai. A ideia é testar novos formatos de narrativa audiovisual e o melhor jeito de conversar com as pessoas, em diferentes linguagens. Abandonar o tradicional, fugir do óbvio, arriscar, confiar.

Diante da proposta, a produtora foi acionada pela Nike para uma missão importante: o greenHouse entraria em campo para fazer, da maneira que bem entendesse, mas de forma original, a cobertura da quarta edição do Batalha das Quadras, torneio de futebol de rua que busca resgatar a essência do futebol brasileiro. O desafio começou com um chamado. O recrutamento de jovens entre 18 e 25 anos, estudantes de jornalismo, cinema, publicidade, tecnologia, arte gráfica. Em comum, a paixão por futebol – além da vontade de participar de um projeto mão na massa, de trabalho intenso por duas semanas.

Construindo um time

O chamado para a seleção do grupo foi feito pelas redes sociais, em algumas faculdades e por indicação de estudantes, estagiários e profissionais do audiovisual. Para participar do processo, o candidato tinha que contar o motivo pelo qual deveria estar no projeto.

Após a primeira peneira, a equipe da bigBonsai entrou em contato com os candidatos para bater um papo e, de olho na melhor composição, que trouxesse habilidades e olhares distintos ao trabalho, o grupo foi definido.

A convocação do time aconteceu em 7 de maio, um sábado. Na segunda-feira, os escolhidos se encontraram pela primeira vez, sem saber direito onde haviam se metido. Tinham apenas uma ideia meio vaga sobre o projeto: um laboratório, uma oportunidade de inventar algo novo. O encontro aconteceu em uma manhã ensolarada, numa quadra de futebol na Praça Maria Noeli Carly Lacerda, na Vila Madalena, em São Paulo.

Dinâmicas ajudaram a construir espírito de equipe

FOTOGRAFIA: bigBonsai

Chamado pela bigBonsai para ajudar a construir um espírito de confiança coletiva, entrou em cena Rodrigo Vergara. Logo na chegada, ele fez uma série de exercícios de dinâmica do improviso com os integrantes do greenHouse. O objetivo era integrar um time que não se conhecia. E que entraria em campo para fazer a cobertura do Batalha em apenas três dias.

O êxito da empreitada ficou claro quando Thiago Ramos e Alessandro Junior, últimos a se juntar ao grupo, sentiram-se rapidamente acolhidos. “A galera ajudou, e o Vergara, com as dinâmicas, também. Foi rapidinho para eu me enturmar e fazer parte”, conta Alessandro. Para Tomás Bueno, outro integrante do greenHouse, o processo de construção de time foi fundamental. “Você chega em um ambiente desconhecido, sem saber o que você vai fazer de fato. Aí, antes de tudo, rola a parte de integração, para você conhecer as pessoas. Isso tem muito significado”.

Laboratório de ideias

No início do ano, o sócio e produtor executivo da bigBonsai, Gilberto Topczewski, apresentou a ideia do greenHouse para a Nike. Poucos meses depois, André Granja, Digital Brand Marketing Coordinator da marca, procurou a produtora para dizer que o Batalha poderia ser uma boa oportunidade para implementar o laboratório. “Estamos interessados no processo”, disse Granja.

Experimentação

A chave para quebrar velhas maneiras
de fazer e encontrar novos formatos

FOTOGRAFIA: Leonardo de Escudeiro

Em 2009, a bigBonsai fez uma pesquisa sobre o cenário do futebol de rua no país, a pedido da Nike. Esse material ajudou a compor a ideia do Batalha das Quadras. Desde então, a bigBonsai foi responsável pela cobertura das edições do evento. O material gerado a partir dessas coberturas já rendeu conteúdos em diferentes formatos como programa de TV, série web ou simplesmente um “recap” para a Nike apresentar o projeto para o time global.

“O intuito do greenHouse é justamente experimentar e, a partir disso, chegar a resultados diferentes daqueles aos quais a gente chega normalmente, quando está tocando uma produção que já sabemos fazer. Então, dar liberdade para o time é uma condição fundamental para que o projeto aconteça. E o único jeito de dar essa liberdade, até para que a gente tenha tranquilidade, é empoderar os participantes”, explica Topczewski.

Para isso, os integrantes do greenHouse participaram de diversas atividades, distribuídas em três dias. No primeiro, visitaram a Nike, entenderam melhor sobre o Batalha das Quadras e receberam um briefing inicial. Já no segundo dia, em um coworking, conversaram com diferentes profissionais do mercado.

“O intuito do greenHouse é justamente experimentar e, a partir disso, chegar a resultados diferentes daqueles aos quais a gente chega normalmente.”
Gilberto Topczewski, bigBonsai

Estiveram por lá Dani Ferreira, responsável pelas redes sociais de futebol da Nike, Granja, Maurício Brandão, do coletivo de artes visuais Bijari, Bruno Tiezzi, diretor de fotografia, o logger (responsável pelos arquivos digitais gerados pelas câmeras) Diego da Fonseca, Mariana Castro, da F451, que publica a Trivela, além do diretor Felipe Briso e Gilberto Topczewski, da bigBonsai.

Na quarta-feira foi a hora de o grupo colocar a cabeça para funcionar e bolar as ideias para a cobertura da edição do Batalha das Quadras de São Paulo, realizada no dia seguinte no estacionamento da Arena Corinthians. A ousadia, alegria e a cultura solta do brasileiro em campo estariam presentes ali, no piso de concreto, na velocidade, nos pés de cada garoto que saiu do seu bairro para enfrentar outros como ele e colocar sua habilidade à prova.

#BDQ 2016: Valendo!

Durante o evento, os jovens jogadores estavam sendo observados pelos olhos também jovens dos membros do greenHouse. “São todos (jogadores do torneio e membros do greenHouse) de uma idade muito parecida. Tem isso de captar as imagens na essência deles próprios”, analisa Vergara.

Enquanto rolavam as disputas rápidas do Batalha das Quadras, de oito minutos por partida, outros jogadores testavam as novas chuteiras Mercurial no Trial. Nesse espaço reservado, os participantes do torneio tinham a oportunidade de pôr nos pés a mesma chuteira que em breve estaria nos pés dos principais jogadores do planeta.

Uma das ideias para a cobertura do Batalha era a de registrar, com smartphones, a movimentação dos garotos com a chuteira e enviar via WhatsApp, para que eles próprios espalhassem nas redes sociais tudo o que estava sendo exibido: o torneio, a chuteira, o clima do evento.

Um drone registrava imagens aéreas que iriam compor o material final para a Nike, enquanto o time do greenHouse ralava forte para pegar as melhores imagens e colocar em prática ideias que apareceram nos dias anteriores. Uma delas, por exemplo, era mostrar uma rodinha de freestyle, em uma câmera 360. Outra missão importante: registrar, também com a câmera 360, o técnico Tite dentro do vestiário, com quatro jogadores do Batalha selecionados para participar do lançamento da nova camisa do Corinthians.

Para a etapa do Rio de Janeiro, que aconteceu no estacionamento do Terminal Garagem Menezes Côrtes, uma semana depois, o greenHouse levou os aprendizados do evento de São Paulo. Um deles foi usar outra plataforma para contar a história do Batalha. “Em São Paulo, os meninos pediam pra gente fazer os registros pelo Snapchat deles. ‘Ah, tira uma foto pra mim’. Tudo era pelo Snapchat. Aí pensamos: vamos fazer no Rio uma simulação de cobertura pelo Snapchat, para ver como a gente consegue usar essa ferramenta”, conta Giovana Pinheiro.

“A ideia é que eles possam inserir um olhar jovem, que fale de forma autêntica com o nosso consumidor”
André Granja, Nike

O cenário do Batalha era outro. O estacionamento, com seu teto baixo, dava um ar mais underground ao campeonato. Ronaldinho Gaúcho foi o convidado especial, enquanto o ator Thiago Martins fazia uma apresentação musical. O time do greenHouse estava mais safo. Mudaram a organização da equipe para ganhar eficiência e agilidade. Seis pessoas ficaram responsáveis por funções como a captação de imagem e sonora, cada uma delas auxiliada por outra pessoa. Enquanto isso, outras três dividiram-se entre o trabalho de assistência de direção, coordenando o restante da equipe; o de cobertura pelo Snapchat e o envio de gifs com lances de freestyle para os jogadores.

Por fim, diminuíram a quantidade de material captado, para facilitar a edição. Se em São Paulo a equipe teve que garimpar e selecionar as melhores imagens a partir de nove horas de vídeo, no Rio, esse número caiu para cinco horas. A divisão de câmeras foi essencial para isso. Em São Paulo, cada câmera tinha imagens de várias das atividades, enquanto no Rio, houve uma distribuição clara: uma para freestyle e Trial, outra para os jogos e outra livre para rodar pelo Batalha.

“A ideia é que a equipe do greenHouse possa inserir um olhar jovem e renovado, que fale de forma autêntica com o nosso consumidor ao mesmo tempo que consiga inspirá-lo”, diz Granja.

“Tira uma foto pra mim”

A pedido dos jogadores, integrantes do greenHouse
passam a usar o Snapchat como plataforma

FOTOGRAFIA: Leonardo de Escudeiro

O processo como legado

Os dias seguintes aos eventos foram de trabalho duro, com etapas de seleção e edição, produção de conteúdo e discussão de formatos para divulgação do material, como o uso de gifs, por exemplo. A equipe trabalhou também na produção de textos para o aplicativo Nike Futebol (baixar versão para IOS ou baixar versão para Android), além do conteúdo que serviu como feedback dos experimentos da cobertura.

As dinâmicas de improviso, o trabalho pegado, algumas madrugadas com a mão na massa nas ilhas de edição, a imersão no projeto e a confiança depositada na equipe criaram condições para que o greenHouse entregasse exercícios relevantes para a construção de novas narrativas, além de provocações e insights valiosos para a marca.

Ainda mais importante do que o resultado do processo, foi o processo em si, como resume o integrante do greenHouse, Hyran de Mula. “Não foi algo dado, não disseram como tinha que ser. Fomos descobrindo a melhor forma no desenvolvimento de tudo, parte por parte”.

Para ver os bastidores do greenHouse no Batalha das Quadras, dá um play!